segunda-feira, 3 de junho de 2013

DESABAFO DE 19 DE MAIO DE 2013




 Conjunto de regras e preceitos de ordem valorativa e moral de um indivíduo, de um grupo social ou de uma sociedade.

Etimologia: subst. lat. ethìca 'ética, moral natural etc.', do adj. gr. éthikós, fem. sing. éthikê  'ético, relativo à moral', substv. no neutro pl. tà éthicá 'tratado sobre a moral, ética'.


Hoje aprendi a duras penas que a falta de ética é mais uma das epidemias do século XXI!!!

Sei que parece lugar comum, afinal, não é de hoje que se fala sobre a falta de ética em todos os níveis – eu mesma já discorri sobre esse assunto. No entanto, quando somos atingidos em nossa integridade, nos sentimos violentados; nosso espírito sofre. 


 Infelizmente, assim como a maioria de nós, eu já havia chegado a um ponto em que ausência de qualquer rastro de ética na política, nas relações profissionais, sociais, internacionais... - a lista é extensa - não mais me chocava. Todos os dias, sentava-me anestesiada, entorpecida, em frente à TV para assistir aos noticiários e ser bombardeada pela miséria e degradação de nossa sociedade em seu sentido lato – não que fatos como a tragédia de Santa Maria não tenham me chocado, assim como a tantas outras pessoas, mas parece ser preciso uma calamidade para sairmos de nossa zona de conforto. “Hoje as coisas são assim”, tornou-se dito popular. Vivemos no mundo do ‘salva-se quem puder’ – a palavra de hoje, amanhã nada vale; a violência e a impunidade imperam; valores como o amor, a família - antes estruturas da sociedade - cederam lugar ao poder, ao status e ao sucesso; a ética e a moral parecem, mais do que conceitos em extinção, ideias ultrapassadas...



Portanto, foi com alegria que há cerca de uma semana assisti a uma aula sobre autoética no NEMESS - Núcleo de Estudo e Pesquisa Sobre Ensino e Questões Metodológicas em Serviço Social da PUC de São Paulo, ministrada pela professora Maria Lúcia Rodrigues, a qual só veio a confirmar meu conceito de ética: moral natural que suplanta a moral estabelecida pela sociedade e é formada pelos preceitos e valores individuais que norteiam nossas ações.  

A ética tem início no indivíduo, é um conceito que reside em nosso interior e transparece nas decisões que tomamos em nosso dia a dia, no modo como nos relacionamos com nossos semelhantes, com o mundo... É ela que nos dá subsídios para aceitar, ou não, as éticas formais e profissionais e embasa nossa ação no mundo.
A ética tem como base o caráter, a autocrítica, o discernimento e o pensamento crítico – este último item, em constante exercício e formação. 
   
Logo, não é sem pesar que, após ter assistido à preleção da professora Maria Lúcia, tive meus princípios éticos violados.   

Como você se sentiria - caso fosse uma professora, escritora, tradutora e revisora que sempre prezou seu ofício - se um tradutor lhe enviasse um texto para revisar e ficasse óbvio, após três horas de trabalho, em uma tarde de sábado, que a única coisa que seu “colega” fez foi colocar o original no Google tradutor, sem nem se preocupar em “dar um tapa”?

Bem, não sei como você se sentiria. A única coisa que posso relatar é como me senti: subestimada, ultrajada e atônita.

Subestimada, pois ele achou que eu não perceberia que o texto encaminhado fora gerado por uma máquina; ultrajada, pois a atitude do suposto tradutor foi contra todos os meus princípios éticos e, por fim, atônita, pois qualquer profissional que se preze sabe que um computador, por mais moderno que seja, não tem a capacidade de traduzir um texto que respeite as regras gramaticais ou a precisão do vocabulário da língua alvo, de compreender o contexto, etc. etc. e tal. Gosto de fazer a seguinte pergunta em minhas aulas: “Como você traduziria - ‘É uma manga?’”. Estou falando sobre a “manga” fruta ou sobre a “manga” de camisa?



Não sei se minha reação foi exacerbada. Costumo ouvir e ler com frequência que não devemos nos deixar incomodar e perder nosso tempo e energia com coisas e pessoas que não nos tragam nada de positivo; concordo, mas ainda não atingi esse estágio de perfeição – algumas coisas ainda me “pegam”.

O ofício do tradutor implica, antes de tudo, em fidelidade – não, necessariamente, às palavras, mas ao sentido do texto, à mensagem e ao estilo do autor - demanda pesquisa, precisão – como tal expressão seria articulada na língua alvo? Como determinada marca cultural pode ser melhor compreendida pelo público ao qual o texto se destina? O texto está bem redigido? Essas são apenas algumas das perguntas que acompanham o tradutor em seu trabalho.


Traduzir é um quebra-cabeça que demanda apuro, dedicação; a ponte necessária para que milhares de pessoas tenham acesso a inúmeras obras da literatura internacional, material de pesquisa, trabalhos acadêmicos...

Certa vez ouvi de uma professora uma frase que nunca deixou de me “perseguir”: “Uma tradução não pode ter sotaque!”. Acredito que escutar o seguinte elogio: “Nossa! Nem parece tradução”, após intermináveis horas de trabalho, seja um dos grandes prazeres de um tradutor. Pelo menos para mim o é.

 Exatamente, por isso, fico indignada ao receber um texto para revisar que, além de fugir de todos os parâmetros de uma boa tradução, demonstra o descaso e a incompetência do “dito” tradutor, sua falta de ética profissional e acima de tudo de autoética.

Para que a ética seja cultivada e vivenciada nas relações familiares, sociais e profissionais é imperativo que, acima de tudo, cultivemos um viver ético, reflitamos sobre nossas idéias e convicções e exercitemos a autocrítica.  


A máxima socrática, “Conhece-te a ti mesmo”, é o único caminho possível para se atingir a verdade e traduz o conhecimento necessário para conseguirmos resolver conflitos internos e modificar nossa relação conosco, com o próximo e com o mundo.

Por um viver ético,


Cláudia Coelho

sábado, 1 de junho de 2013

TEMPO DE MUDANÇA

A TELA DE PROTEÇÃO DE MEU GATO

01 de junho de 2013



Mude,
Mas comece devagar,
Porque a direção é mais importante que a velocidade.

Edson  Marques
                                             
Queridos seguidores de meu blog, este tem sido literalmente,  um tempo de mudança em todos os sentidos e para fechar este momento com chave de ouro decidi voltar para o apartamento que me abrigou por mais de vinte anos e traz impregnado em suas paredes grande parte de minha história de vida. Não foi sem emoção que hoje, após seis anos de ausência, abri a porta de minha casa - talvez em um próximo post conte a saga que foi ter conseguido tal feito afinal planejara tudo para que esta mudança fosse a mais bem organizada de minha vida. Ledo engano. 




Graças ao Universo, para não dar um cunho religioso ao meu relato. Estava acompanhada de minha mãe – sua maior preocupação: as telas de proteção do Misha. Não, ele não é meu filho, é meu gato: aquele que assim que sempre que acordo me pede uma ração de comida, que fica a postos quando estou exausta trabalhando no computador, que percebe quando estou chateada e deita em meu colo, que se aninha em meus pés sempre que me deito.  
Tão preocupada que estava com a pintura, com o piso desgastado, com os móveis que não sabia onde o administrador do apartamento havia guardado – apesar de não serem itens de primeira necessidade - esqueci-me de prestar atenção ao mais importante, a proteção daquele que me guarda e me acarinha quando mais preciso.


Assim que cheguei em casa, segui o conselho de “mamis”. Em vez de ficar procurando na Internet por empresas que pudessem instalar no banheiro as prateleiras que poderiam abrigar alguns itens pessoais, a primeira atitude que tive foi procurar empresas que oferecessem redes de proteção. Felizmente, tive a sorte de encontrar uma, em meio às milhares que existem que entenderam minha preocupação – ter de mudar para um apartamento onde meu filhote, caso não houvesse uma rede de proteção teria de ficar preso – as outras queriam que me ajustasse a todas as condições que propunham, sem negociação: prazo de entrega do serviço, instalação, condições de pagamento...



Tive o mesmo problema ao tentar contratar uma empresa que cuidasse do piso, da parte elétrica, dos detalhes gerais que, infelizmente, não tenho condições de fazer por mim mesma, caso contrário, seria essa minha atitude.

O que senti durante esse processo é que as empresas de serviços, tão preocupadas em ter uma atitude profissional, esquecem-se de que estão lidando com seres humanos, cujas demandas e necessidades são diferentes. Não sou a favor do “tudo pelo cliente”, mas há que se achar um meio termo entre a forma que os serviços são oferecidos e as necessidades do contratante. Quem não gosta de sentir que está recebendo um serviço que busque atender, da melhor forma possível, aquilo que espera.

Como professora, deparo-me com o mesmo dilema, portanto minha primeira aula sempre é dedicada a escutar meu aluno ou o grupo com o qual vou trabalhar e, a partir de então, sempre dentro de uma visão conjunta e ética, busco a melhor estratégia para suprir suas necessidades.





Toda essa reflexão levou-me a pensar no sentido abrangente de uma “rede de proteção” e, por que não no de uma “proteção na rede”? Os limites entre o privado e o social estão cada vez mais tênues. Alguns não se importam de tornar disponíveis em alguma rede social assuntos antes guardados entre quatro paredes como: “Passei uma noite agradável com fulano ou fulana” - eles estão disponíveis para quem quiser ler. Nossos hábitos e dados pessoais, os quais colocamos inocentemente em algum formulário de uma Loja de Departamentos, são por estas usados para nos atrair e, por vezes, nos constranger.

Por conseguinte, proteger-se e proteger os que nos são caros contra esses ataques tornou-se imperativo. Talvez a primeira peça desse quebra-cabeça seja formada por “pequenas” atitudes conscientes, como colocar em seu apartamento a rede de proteção de seu filhote de estimação antes de preocupar-se com o brilho do piso. 

Essa peça, para alguns parece ser uma prisão, mas é na realidade um ato de amor, pois sentir-se seguro é uma das necessidades básicas dos seres vivos.  Assim sendo criar estratégias para encaixarmos outras peças que protejam as pessoas que amamos e a nós mesmos da manipulação, da desinformação, do caos  tornou-se primordial no mundo aético em que vivemos

Beijos de quem está em busca de completar um quebra-cabeça que se transforma com o tempo,
Cláudia Coelho





sábado, 25 de maio de 2013

O AUTOVALOR DA


Não alimente o ódio, o rancor e a indignação dentro de ti – eles só te farão refém, mantendo-te preso ao passado, a um lugar onde não queres estar.  Mira no futuro. Talvez aquilo que te faz sofrer hoje é o que te impulsionará a um porvir gratificante.

Cláudia Coelho


O texto abaixo foi escrito com o intuito de mostrar o valor da autoestima a um grupo de crianças - fruto de famílias disfuncionais - que participam de um projeto de evangelização sem qualquer vínculo religioso.



Certo dia uma professora da “Escola da Vida” entrou na sala de aula e percebendo que seus alunos estavam muito tristes resolveu lhes contar uma história.

“Era uma vez um ser muito sábio e amoroso; ele tudo sabia e tudo via, mas vivia triste, pois estava só.
Então, certo dia, ele teve uma ideia. Decidiu criar outros seres, filhos, “à sua imagem e semelhança”, ou seja, parecidos com ele, no entanto, não exatamente iguais a ele, e colocou dentro de cada um uma sementinha que eles teriam de cultivar – regar todos os dias – para que ela desse frutos.
E assim foi feito.

Os alunos escutavam as palavras da professora com atenção. 



No entanto, a água que deveria ser usada para regar a semente era muito especial e vinha da fonte da autoestima.”
- Fonte da autoestima? Mas o que é isso professora? Perguntaram os alunos.
- Bem vamos começar do começo. Respondeu a professora. O que é estima?
- Essa eu sei! Disse uma das alunas. Estimar é gostar, apreciar.



- Muito bem! Respondeu a professora. E, então, o que é autoestima? Perguntou com o dedo indicador apontando para o peito e continuou. É gostar de si mesmo, apreciar o que a gente faz, ter prazer no nosso dia-a-dia, acreditar que vamos conseguir conquistar o que queremos. Isso não quer dizer que sejamos perfeitos, mas gostar da gente mesmo é bom demais!

- A gente tem de se valorizar! Berrou outro aluno do fundo da sala.



- Isso mesmo, com nossas qualidades e defeitos. Temos de ter orgulho daquilo que fazemos, de quem somos; acreditar que temos a capacidade de superar as dificuldades e obstáculos que temos pela frente. Mas, continuou a professora, não se esqueçam de que é importante respeitar os outros e suas diferenças. Gostar da gente é muito bom! Mas não podemos acreditar que outra pessoa seja menos do que nós só por que ela é diferente - tem outro jeito de falar, tem outra religião, tem outra cor de pele – isso é tolice. Lembrem-se de que aquele que nos criou colocou uma sementinha diferente dentro de cada um de nós, portanto não somos iguais. Quando vocês virem alguém fazer algo de bom, busquem seguir o exemplo; quando alguém fizer algo de mau, de nada adianta criticar. Se ele for seu amigo, alguém de quem você gosta, dê “um toque”, se não for, deixe de lado. O Criador nos deu o livre-arbítrio, ou seja, somos livres e responsáveis por aquilo que escolhemos fazer de nossa vida.
Portanto, não se esqueçam de valorizar seus verdadeiros amigos, pois o verdadeiro amigo não é aquele que só nos elogia e acha que tudo que fazemos é bom. O verdadeiro amigo é aquele que de vez em quando nos dá um “puxão de orelha”, mas faz isso porque nos ama e quem ama cuida. Nossos amigos são mensageiros do Criador.


Mais uma coisa sobre a autoestima. De vez em quando erramos, mas como o mundo em que vivemos é uma escola, o importante é aprender com nossos erros.   

E por fim a professora disse:

- É verdade que por vezes, quando olhamos em volta, nos sentimos injustiçados, nos revoltamos, temos inveja – o que só faz mal para nós mesmos - tantos têm muito mais do que nós, mas será que eles são felizes? Não sabemos. Conheço muitas pessoas que tudo tem em termos materiais, mas nada, em termos espirituais - pessoas vazias, que vivem em um mundo de aparências, sem amigos verdadeiros – um dos maiores presentes que podemos ter, pois eles são raros e como dizem, podem ser contados nos dedos de uma só mão. Esses que parecem tudo ter vivem cercados de interesseiros, gente em quem não podem confiar. Que tristeza!!!

A vida que você tem hoje é tudo que possui e ela pode levá-lo a crescer e evoluir. Basta saber como usá-la. Nosso Criador, que tudo sabe, nos colocou no lugar certo para que a gente possa evoluir. A vida é como um trampolim onde você pula, pula, pula, pega impulso e voa. Quantas pessoas bem sucedidas não tiveram uma infância humilde, vieram de lares desestruturados, tristes, moraram em lugares horríveis e com força de vontade e perseverança conseguiram seu espaço no mundo – afinal, cada um de nós tem o seu lugar reservado, basta regar a sementinha com a água especial da fonte da autoestima e a do amor, que o Criador também colocou dentro de todos. Coloque amor em tudo que faz – essa é a maior força que temos. Por vezes achamos este mundo injusto, mas aquele que tudo sabe, que observa o universo de cima, faz tudo do jeito certo, na hora certa.

Não alimente o ódio, o rancor e a indignação dentro de si – eles só o manterão preso ao passado. Mais uma vez, não se sinta injustiçado. Mire no futuro. Quem sabe se aquilo que o faz sofrer hoje, se bem utilizado, não será exatamente o que o levará a um futuro feliz?  Quantas flores lindas não nascem no deserto?


Portanto, meus alunos, desejo a vocês muito amor e um Bom Dia! Lembrem-se: um dia só é bom quando colocamos nele coisas boas; caso contrário ele será um mau dia e tenho certeza que nenhum de vocês quer isso.

E, como lição de casa vou dar a vocês a seguinte tarefa: escrevam em uma folha de papel tudo que querem para sua vida, pensem sobre como podem consegui-lo e bola para frente. Façam como o jogador de futebol que mira no gol, monta a jogada e enfia a bola na rede; como o corredor que mira na linha de chegada e corre atrás de seu objetivo sem olhar para os lados para não se distrair. Mas, lembrem-se de que todos eles treinaram muito, superaram suas dificuldades, riram e choraram e por fim, chegaram lá. Assim como vocês chegarão. Tenho certeza!


- Ah! Mais uma coisinha: agradeçam todos os dias o dom de estar vivo. A vida é o maior presente que recebemos do Criador! Façam dela o melhor que puderem!




Em seguida, soou o sinal do recreio, e todos se retiraram da sala, com um sorriso nos lábios e outro no coração!
Com um beijo em sua autoestima,
Cláudia Coelho




Cláudia Coelho

domingo, 12 de maio de 2013


DOMINGO, 12 DE MAIO DE 2013


DIA DAS MÃES





Hoje acordei com vontade de dedicar o dia a minha mãe. Sinto que após ter passado pelo momento crítico da depressão que atinge quase todas as mulheres que chegam à casa dos 50 - a maior parte das pessoas considera isso uma “grande bobagem” - tanto os jovens, pois hoje a maior parte das mulheres de 50 está no auge de seu vigor; quanto os mais velhos, que por vezes chegam a nos chamar de crianças, com a vida “toda” pela frente (bem, pelo menos parte dela) e tanto a realizar – tudo isso é verdade - mas não há como negar que após os 50 o  “tic-tac” começa a bater mais forte e rápido - já ultrapassamos mais da metade de nossa vida (mesmo com todos os avanços da medicina) e nosso corpo por mais cremes anti-idade que usemos, ou abdominais que façamos, começa a mostrar seus sinais, principalmente para as mulheres – só quem passou pelos calores do climatério sabe o que estou dizendo. Aqui vale a pena um parêntese - dias atrás, após dois anos e meio sem ver um tracinho de sangue em minha calcinha, menstruei e pensei: quando jovens, execramos esse período de alteração hormonal que ocorre a cada mês e que de modo geral nos torna irascíveis, instáveis, querendo que o mundo acabe em barranco - aos 50, esse é um período de glória, ainda nos sentimos mulher.


Certa vez li que com o declínio do corpo, a sabedoria toma espaço: concordo em gênero, número e grau. Ao meditar, sobre a fase em que hoje me encontro percebo ser esta o início de um período de amadurecimento; o que implica parar de culpar o mundo e os outros por minhas frustrações, assumir responsabilidade pelo caminho que escolher daqui par frente, fazer um inventário do que me aconteceu e guardar no coração o que houve de bom e deixar para trás aquilo que não mais me serve - adquirir a sabedoria de que ainda temos muito a aprender.



Por isso esse Dia das Mães tem um significado especial para mim. Hoje mais do que ver minha mãe como a mulher que me trouxe ao mundo que, em minha imaturidade de filha, deveria ser a imagem da perfeição, a enxergo como uma mulher igual a mim: com erros e acertos; frustrações e realizações – uma pessoa que mesmo nos momentos de incerteza e insegurança quanto ao que fazer, seguiu seus princípios e arregaçou as mangas pelos filhos.
Uma mulher que a cada dia que passa mais admiro e mais sou grata por ter-me ajudado com seus princípios a me tornar a pessoa que sou.



Gostaria de terminar este relato fazendo uma confissão: no meu último surto de infantilidade em relação a minha mãe procurei meu pai e ele me deu o puxão de orelha e a bronca que eu precisava ouvir dizendo de modo simples, curto e grosso; próprio de seu estilo lacônico: “Ela é sua mãe!”. Para que mais? Naquela frase estava imbuído um significado que está muito além das palavras, que transcende a racionalidade.

Mesmo acreditando que o verdadeiro artista sempre carregue em si certo sentimento de frustração pela incerteza de conseguir transformar em matéria o intangível, ofereço a minha mãe a homenagem abaixo talhada em palavras – minha matéria-prima - assim como o barro é a do escultor.




ODE A MINHA MÃE

Aquela que me deu o bem mais precioso:
“A Vida”,
que me carregou em seu ventre por nove meses,
e me esperou com carinho e ansiedade (afinal eu era a primogênita).

Que me ensinou os primeiros passos,
as primeiras palavras,
e vibrou quando em meu primeiro aniversário
recebi os convidados à porta.

Aquela que passou noites e noites insone,
me ouvindo chorar por quatro anos,
e me silenciou ao se ajoelhar ao pé de minha cama
 e me ensinar a rezar o “Pai-Nosso”.

Aquela que orgulhosa, segurou em minha mão,
e emocionada me deu um beijo,
antes de me ver cruzar pela primeira vez os portões da escola.

Aquela que sempre lutou como uma leoa
para que eu e meus irmãos tivéssemos tudo que lhe fora negado.

Que quando triste e deprimida,
escondia as lágrimas,
e nos oferecia um sorriso acolhedor.

Que se descabelava, feliz, com quatro pimpolhos
correndo ao redor,
(nunca me esquecerei da foto em que
ela abraçava os quatro filhos, com o cabelo em desalinho,
rindo a valer).

Aquela que em minha adolescência me educou com
mão de ferro,
algumas vezes acertando; outras, errando,
mas sempre buscando fazer o melhor.

Aquela que, dessa forma, me ofertou os maiores bens que alguém pode almejar:
a integridade, a força de caráter, e a determinação.

Que me ensinou
 a verdadeira acepção do “amor incondicional”.

Mãe,
Você e eu temos nossas rusgas, quem não as tem,
elas fazem parte de um relacionamento sem máscaras,
 mas, tenho certeza, de que  o amor e admiração que temos uma pela outra
suplantam qualquer desavença que tivemos, tenhamos ou venhamos a ter.

Mãe,
Nós seus filhos, não somos perfeitos, mas além de amá-la,
nos amamos, nos respeitamos e torcemos uns pelos outros;
isso é uma benção.  

Portanto, você conseguiu com sua força e determinação realizar
a difícil tarefa que  se impôs –
criar uma verdadeira família;
uma linda família.
.
Filhos que mesmo imperfeitos, afinal a perfeição não é desse mundo,
possuem valores éticos e morais, - bens tão escassos na atualidade,
pessoas capazes de estabelecer relações baseadas na verdade, na honestidade e na consciência,
princípios básicos que sempre nortearam e continuam a definir as autênticas relações humanas.

Mãe,
Não deve ter sido sem angústia, que uma mulher como você que tem seus olhos e sentidos abertos ao mundo, viu os quatro filhos que criou e buscou
proteger do mal com unhas e dentes, lançarem-se à vida.
Você é a galinha que gostaria de ter seus “pintinhos” sempre sob suas
asas, mas saiba que seu trabalho foi muito bem feito.

Todos nós temos na alma uma árvore frondosa, fruto da
semente que você plantou quando nos concebeste,
cultivou durante nossa formação e continua a acalentar.

O maior bem que nos deste foi seu exemplo.


Wanda,
Muito obrigada por ser minha mãe.
Cláudia





quinta-feira, 9 de maio de 2013


GRITO DE INDIGNAÇÃO DE 8 DE MAIO DE 2013


 

SORDIDEZ MASCARADA


Edição do dia 07/05/2013 do Jornal Nacional
Itamaraty investiga denúncias de assédio sexual e moral em consulado


O Itamaraty recebeu três denúncias dos funcionários do consulado de Sydney, na Austrália, e um abaixo-assinado.
No documento, eles acusam o cônsul-geral, Américo Dyott Fontenelle e o cônsul-geral-adjunto, Cesar Cidade, de assédio moral e sexual, abuso de autoridade, humilhações e perseguições, racismo e homofobia.
Américo Fontenelle é cônsul-geral em Sydney desde 2010. Segundo os funcionários, ele já foi investigado por acusações semelhantes, em 2007, quando trabalhava no Canadá, mas a sindicância foi arquivada.

FACE A TAL DESCALABRO PERGUNTO:

Quando será dado um "Basta!" a esse tipo de violência?

Quando haverá leis eficazes que protejam as vítimas de assédio moral?

Quando deixaremos de banalizar a violência?




Assédio: insistência impertinente, perseguição, sugestão ou pretensão constantes em relação a alguém. 
Fonte: Dicionário eletrônico Houaiss da Língua Portuguesa - versão 3.0


Infelizmente, o assédio, por sua natureza, em especial o moral - que pode ocorrer na família, nas empresas, nas escolas, no âmbito social e entre casais - não deixa marcas visíveis e, portanto, dificilmente, é passível de um processo judicial, em especial, por ser realizado por perversos narcísicos.

De acordo com o DSM IV (Manual Diagnóstico e Estatísticos de Transtornos Mentais IV) esses indivíduos estão em toda parte E tem uma persona social impecável - ou seja são "cidadãos acima de qualquer suspeita - que escondem em seu interior megalomaníacos arrogantes, sem nenhum traço de empatia;  e que por acreditarem ser especiais, não enxergam o outro como pessoa, mas, sim, como objeto que existe para satisfazê-lo. 

Caso pudéssemos tirar um raio-x do interior desses predadores, observaríamos são seres vazios de alma, ao contrário de suas presas,  que sofrem em virtude dos ataques impetrados contra sua integridade mental, emocional e física - vítimas que passam a viver em constante estado de alerta à espera da próxima emboscada. 



Infelizmente, de modo geral, esses algozes escapam ilesos pois a violência que infligem a suas vítimas é "limpa". Extremamente sedutores, inteligentes e, de modo geral, admirados pela sociedade, ao perceberem que a vítima está próxima de seu limite, revertem o quadro: levam-na a se tornar agressiva, a parecer ingrata e, em casos extremos, a enlouquecer. 

Por desconhecimento, muitos profissionais da saúde mental ao se depararem com uma vítima de assédio moral, em especial o que ocorre entre casais, tratam o caso como se fosse mais um exemplo clássico de relação sadomasoquista. Tal atitude em vez de ajudar a vítima a criar subsídios internos para livrar-se do enredamento em que se encontra, faz com esta se sinta culpada pelo insucesso da relação.  

O assédio moral ocorrido em empresas é mais fácil de ser provado e, portanto, já se observa algumas iniciativas nesse sentido, mas como provar que aquele ser incorruptível - admirado por sua família, pela sociedade, com o qual você conviveu maritalmente por anos destruiu sua alma com suas ameaças veladas?  

Gostaria de, por fim, acrescentar que, acusar penalmente os que se utilizam de sua ascendência sobre o outro para assediá-lo moralmente, é sempre uma iniciativa longa e penosa e, por conta disso, muitas vítimas se calam...  


 ...pois, lamentavelmente, via de regra, a "culpa" recai sobre a presa e esta sem um interlocutor que a compreenda, inclusive entre seus familiares, sente-se cada vez mais isolada e confusa e, até onde é de meu conhecimento, não há qualquer associação de apoio às vítimas de assédio moral onde estas possam ser ouvidas e assessoradas em suas iniciativas. 

Houve nas últimas décadas pequenos progressos nessa área. Uma resolução adotada pela Assembleia das Nações Unidas, em novembro de 1985 em anexo à declaração dos princípios básicos de justiça relativos às vítimas da criminalidade e às vítimas de abuso de poder", define as vítimas de abuso de poder da seguinte forma: "Entende-se por vítimas pessoas que, individual ou coletivamente, tenham sofrido algum prejuízo, principalmente uma ofensa a sua integridade física ou mental, um sofrimento moral, uma perda material, ou uma injúria grave a seus direitos fundamentais, em virtude de atos ou omissões que não constituem ainda uma violação da legislação penal nacional, mas representam violações de normas internacionalmente reconhecidas em matéria de direitos humanos."

Acredito que ter o termo “vítima” definido pela Assembleia das Nações Unidas, seja, com certeza, um avanço. No entanto, faz-se necessário, estabelecer políticas e leis, para que os predadores de almas não mais consigam mascarar suas ações e sair incólumes de seus crimes. 

A marca deixada na alma, cravada com ferrete por um perverso, nunca desaparecerá. Com o tempo, ela pode chegar a se tornar tão sutil a ponto de quase não mais nos lembrarmos de sua existência, mas esta nunca nos abandonará, definindo de modo subliminar a maior parte de nossas ações. 

É possível destruir alguém apenas com palavras, olhares, subentendidos:
a isto se dá o nome de violência perversa ou assédio moral. 




Com beijos indignados com o assédio moral e sexual perpetrado por aqueles que acreditam estar no poder, 
Cláudia Coelho

PS: Ao procurar as fotos para ilustrar meu desabafo, deparei-me com um link do site "papo de homem" intitulado "50 maneiras de derrubar alguém", o qual dispensa comentários e cuja foto segue abaixo.




Clube da Luta





segunda-feira, 6 de maio de 2013


FRASE DO DIA DE 06 DE MAIO DE 2013


"Minha cruzada de todos os dias é ser íntegra comigo mesma"



Cláudia Coelho